Hoje, li um discurso do José Reis sobre os limites éticos e morais da investigação científica, feito na Faculdade de Medicina da USP, em 1975. Ele falou, inclusive, sobre o anúncio da fertilização de óvulo humano fora do corpo e, como conseqüência, da clonagem humana. É um texto que toma partido do pensamento, onde deve-se incluir a sociedade nas discussões e analisar as conseqüências das pesquisas.
Na época, apenas se havia clonado plantas e alguns anfíbios. Logo, a importância desses estudos para a saúde humana era mais distante. Bom, apesar dos avanços da medicina, o que me espantou foi a atualidade do discurso. Em meio às discussões atuais que vivemos, vale a leitura para contextualizar um pouco mais. Confira o início do texto:
"Afirmou Lorde Snow, em 1961, como a coroar o período de grande euforia científica que se seguiu à II Grande Guerra, que 'os cientistas são, hoje, o mais importante grupo profissional do mundo, e o que eles fazem, neste momento, a todos concerne profundamente'. Ainda que se reduza essa importância a proporções mais modestas, fácil é perceber, pelas imensas conseqüências, boas e más, da aplicação de sua atividade, que os cientistas devem ser, também, um dos grupos profissionais que maiores compromissos morais assume perante a humanidade. Formidável indagação constitui, pois, a que busca discernir os limites éticos desse trabalho. É nossa intenção mostrar que, apesar dos muitos esforços para ligar ciência e ética, até aqui realizados, essas limitações estão mais no cientista do que na ciência. Tentaremos atingir esse objetivo em três etapas: primeiro, recordando a preocupação dos pesquisadores no relacionamento da ética com a ciência; a seguir focalizando, em instantâneos, angustiantes problemas de ética em alguns campos da investigação; e afinal perquirindo se existem, e onde se acham, aqueles limites morais."
quinta-feira, 13 de março de 2008
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Um comentário:
poxa, acho que além do documentário em vídeo vocês podiam pensar numa espécie de diário de bordo (não só como site) mas como livro... que tal levar câmeras fotográficas pras entrevistas... sei lá, é só palpite de palpiteira, mas é que curti ler o blog e é uma pena pensar que depois do documentário pronto ele morre...
bjs
Ju
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